Interromper a atividade física reflete-se no físico, mas não só. A saúde mental também sofre.

PAULO MIGUEL GODINHO

Parar de fazer exercício físico regular pode ser sinónimo de desenvolvimento de uma depressão. Como tal, os investigadores da Universidade de Adelaide, questionaram-se acerca do impacto que este hiato poderia ter na vida de adultos ativos. A resposta assume a forma de um estudo, desenvolvido por Julie Morgan, doutoranda em Psiquiatria naquela universidade, e outros investigadores. A base foi a análise de estudos anteriores.

“Atividade física adequada é importante tanto para a saúde física e mental”, diz. E qualquer tipo de exercício pode servir este propósito, desde que seja adequado a cada indivíduo, como explica Alan Cohen, um médico de clínica geral no serviço nacional de saúde britânico, direcionado para a área da saúde mental.

Para investigação, o universo de análise foi composto por 152 pessoas – cerca de um terço eram mulheres. Antes do estudo, todos seguiram o mesmo regime: pelo menos trinta minutos de exercício, três vezes por semana, durante três meses.

“Em alguns casos, interromper esta quantidade de exercício induziu um aumento significativo nos sintomas de depressão em apenas três dias”, refere Bernhard Baune, chefe do departamento de psiquiatria na universidade australiana e co-autor do estudo, salientando a rapidez do impacto desta interrupção na saúde mental dos participantes em estudos prévios. “Outros estudos mostraram que os sintomas depressivos aumentaram depois de uma ou duas semanas, o que é muito pouco tempo depois de pararem de fazer exercício”.

A investigação permitiu ainda concluir que as mulheres têm maior propensão a apresentar sintomas depressivos.

Este estudo deve continuar a ser desenvolvido, como revela Julie Morgan, uma vez que a investigação efetuada até agora não é suficiente para conseguir comprovar uma relação direta entre a paragem na atividade física e o aparecimento dos sintomas relacionados com um diagnóstico de depressão. Ainda assim, a relação de causalidade estabelecida entre o exercício físico e a redução dos risco de depressão ou declínio cognitivo é inequívoco, segundo o relatório do Department of Health, Physical Activity, Health Improvement and Protection britânico.

A SOLUÇÃO

Praticar exercício físico tem impacto positivo na prevenção de sintomas de depressão ou ansiedade, para além daqueles diretamente relacionados com um estilo de vida sedentário, como a pressão arterial alta, diabetes ou artrite. De acordo com a Mayo Clinic, nem sequer é preciso dedicar muito tempo diariamente para sentir os efeitos do exercício – bastam 30 minutos. Ou até menos, se estivermos a falar de atividades físicas mais intensas, aí bastarão entre 10 a 15 minutos.

Para além disso, reduz as chances de desenvolvimento de perturbações do foro mental – como a depressão e demência- entre 20% e 30%, segundo o Department of Health and Human Services norte-americano.

Isto porque a atividade física potencia a libertação de endorfinas, que atuam como um poderoso analgésico natural. Mas não só. De acordo com a revista Time, a prática de exercício físico desencadeia a libertação de substâncias químicas no cérebro, diretamente relacionadas com o humor – serotonina, dopamina e noradrenalina – que têm ação no alívio da dor e do stress. Funciona ainda como um escape em relação aos pensamentos negativos, motores do stress, ansiedade e, em última instância, a depressão, porque exige a total concentração da pessoa que a pratica.

In: http://visao.sapo.pt