Esta quebra, porém, decorrente da má prestação desportiva do Benfica na Liga dos Campeões da época em curso, foi compensada, parcialmente, com as vendas dos passes de Nelson Semedo e Mitroglou ao FC Barcelona e ao Marselha, respetivamente.

“Foi graças a essas duas vendas que tivemos praticamente uma duplicação do volume de receitas da venda de jogadores, o que nos permitiu crescer 24 por cento em relação a período idêntico do ano passado e ter um resultado positivo de quase 20 milhões de euros”, disse Domingos Soares Oliveira, diretor executivo da SAD `encarnada`, durante a apresentação das contas, reconhecendo que as receitas da UEFA constituem “um dos pontos principais do volume de receitas do Benfica”.

Soares Oliveira destacou três indicadores: o crescimento das receitas em cerca 24 por cento, a redução do passivo em 53 milhões de euros e a melhoria dos capitais próprios, que registaram “um contributo de 19 milhões de euros graças aos resultados positivos, que fazem com que se esteja a caminhar, claramente, para um volume de capitais próprios que se aproximam do que é o capital social da SAD”.

Não obstante a redução do passivo, o Benfica registou também no primeiro semestre de 2017/18 uma redução dos ativos em cerca de 33 milhões de euros, redução essa que Soares Oliveira justifica com o facto de o dinheiro recebido ter sido utilizado para o reembolso dos fornecedores, quando podia ter sido mantido em caixa. De resto, fez notar que “uma redução do ativo, se for acompanhado por redução ainda maior do passivo, é uma tendência positiva”.

Em termos de futuro, o `homem-forte` das finanças do Benfica aponta, em termos desportivos, à conquista do pentacampeonato, e em termos económicos, à manutenção do rigor nas contas, “já visível este ano com o menor investimento feito pela SAD”.

Em todo o caso, reconhece que as receitas provenientes da entrada na Liga dos Campeões continuam a ser imprescindíveis: “Fará diferença grande entre os clubes que estão na `Champions` e os que não estão, porque as receitas vão praticamente duplicar para o ciclo 2018/21. O mercado português já é razoavelmente assimétrico e, para os clubes que estarão na `Champions` e os que estão na Liga Europa e os que não estão numa nem noutra, as diferenças vão ser cada vez maiores”.

Questionado acerca do anúncio de Luís Filipe Vieira em relação ao abatimento de 100 milhões de euros na dívida ao sistema bancário, Soares Oliveira esclareceu que essa operação “está em fase de conclusão” e vai permitir reduzir o endividamento bancário na verba acima referida.

“Isto significa que a nossa exposição à banca portuguesa passa a ser marginal, apenas com algumas linhas de descoberto. Ou seja, o plano que `desenhámos` há três anos, de passar a não depender da Banca portuguesa, vai ver a sua realidade a partir já deste semestre”, concluiu Domingos Soares Oliveira.

In: rtp.pt