Diogo Piçarra, de 27 anos, só iniciou a carreira há quatro anos, com o lançamento do seu primeiro álbum. Nunca mais parou de encher salas de espetáculos. No dia 25 de fevereiro concorreu ao Festival da Canção e era um dos favoritos para representar Portugal na Eurovisão. Menos de 24 horas depois, a sua Canção do Fim foi considerada um possível plágio de uma tema da IURD e o cantor desistiu da sua participação. Estivemos com o cantor no evento da Redken Brews, marca da qual é embaixador, uma oportunidade para conversarmos sobre os cuidados que tem e a importância da imagem na sua carreira, mas também sobre o suposto plágio.

Esta marca tem tudo a ver consigo…
Julgo que sim, é uma marca mais rebelde, urbana, direcionada para homens, e tem tudo aquilo com que me identifico. Para mim, é um enorme orgulho fazer parte da família Redken e da L’Oréal. Era algo que faltava na minha vida fora da música, alguém a quem pudesse confiar a minha imagem, e esta marca dá-me os melhores aconselhamentos e produtos. Espero também corresponder às expectativas que têm de mim.

Tem cuidados especiais por ser uma figura pública?
Sempre tive noção de que num artista não conta só a sua música, mas também tudo o que está à sua volta, a sua imagem, as redes sociais… Isso aproxima-nos das pessoas e facilita a identificação. E um artista deve ser camaleónico.
Tem um aspeto irreverente e extrovertido, mas dá-me a sensação de que não é bem assim…
[Risos.] Tenho fases, e acho que só me mostro em palco. Fora do palco, sou mais introvertido e resguardado. Sempre fui muito tímido, mas a música também mudou um pouco esse meu lado e fez de mim o homem que sou.

Essa timidez não se torna incompatível com o lado público?
Não. Ser o Diogo artista é quase como mudar o meu “chip”, estou pronto para tudo. Para concertos, entrevistas, tirar fotos, ser abordado na rua… Um artista tem de estar preparado para isso, e para mim ser reconhecido é muito satisfatório. Sei bem de onde vim, renego vedetismos ou estrelatos e trabalhei muito para chegar onde estou.
Depois da polémica do Festival da Canção, a sua namorada, Melânia Jordão, fez-lhe uma declaração pública muito bonita no Instagram…
Ela diz-me muitas vezes que eu sou muito especial e que nunca teve um namorado assim. Mas eu também nunca tive uma namorada assim. Sempre foi difícil apaixonar-me e a Mel cativou-me imediatamente. Falamos muito, e é engraçado ver como temos crescido juntos. Ao longo de quatro anos muita coisa mudou, e quando começámos eu ainda nem tinha lançado o primeiro disco, e temos aprendido juntos a lidar com as fãs, com o protagonismo. É muito giro. Para mim, ela é a namorada perfeita. Não deve ser fácil namorar com um artista… [Risos.]

Como tem lidado com as notícias que o acusam de plágio?
Estou a lidar bem. Foi uma coincidência muito infeliz. Descobri aquela música de que toda a gente fala ao mesmo tempo que Portugal inteiro e ficámos todos surpreendidos. Da minha parte estou de consciência tranquila e foi por isso que me quis retirar do Festival, para evitar mais confusão. Sempre fiz tudo à base do trabalho e da música. Não preciso das proporções que o assunto já estava a ganhar.

Faz ideia de onde vem a denúncia?
Não sei quem é que começou isto tudo, mas quem o fez, de facto, conhecia aquela canção da IURD, mas também teve oportunidades anteriores para mostrar as parecenças entre as duas. A música – 45 segundos dela – esteve à mostra de toda a gente durante uma semana, eu toquei-a ao piano e coloquei no Instagram na semana anterior… Acho que quem o fez já conhecia aquela melodia há muito tempo e esperou pela oportunidade certa. Não sou pessoa de intrigas e se vier a conhecer quem fez isto até lhe perdoarei, não sou rancoroso. A verdade é que desisti da oportunidade de ir à Eurovisão porque a minha carreira e a minha vida falam muito mais alto do que isso.

Como lida com quem pensa que possa ­realmente ter feito plágio?
– É legítimo, as pessoas não sabem o que se passa na minha cabeça. Preocupo-me, sim, com quem sempre me acompanhou e segue o meu trabalho. Jamais quero desiludi-los e até ganhei admiradores pela minha atitude.

Foi também um ensinamento de vida?
Completa­mente. Eu sabia o risco que corria em participar no Festival da Canção… Na minha cabeça é uma música legítima, sincera, original, embora inspirada em muita coisa. Hoje em dia nada é novo e também tenho as minhas influências, mas neste caso a minha inspiração nunca passou por aquela música da IURD, que nem conhecia. Foi uma grande surpresa. Se soubesse que a minha música era parecida com um cântico religioso, facilmente a deitaria fora e comporia outra rapidamente. É engraçado que o poema que compus foi o que aconteceu comigo: as pessoas olham para tudo e não veem nada, não ouvem nada… Não quero dar o ar de vítima, porque, a partir do momento em que houve as suspeitas, vim logo a público concordar que a música era parecida, mas não foi propositado. Quem quiser acreditar, que acredite.

In: caras.sapo.pt