“Mais de metade dos portugueses têm doenças do sono”

Os portugueses consomem demasiados medicamentos para dormir. O “uso de benzodiazepinas, os famosos calmantes, é dramático em Portugal”, considera o presidente da Associação Portuguesa do Sono (APS).

Joaquim Moita diz que “pode ser correto prescrever este tipo de medicamentos para uma insónia transitória, durante uma semana, duas semanas. Mas a partir dos 30 dias, grosso modo, esse medicamento passa a ter mais efeitos secundários do que benefícios.”

O médico defende que falta um estudo aprofundado sobre a qualidade do sono dos portugueses. Não há esse estudo, mas Joaquim Moita considera que “há indicadores que podem dar uma ideia da situação: por um lado, o elevado consumo de medicamentos para dormir, por outro, o elevado número de anúncios na televisão a promover produtos de venda livre para ajudar a dormir”. Ora, considera o médico que “se há tantos anúncios é porque há mercado, mesmo que alguns daqueles produtos não sirvam para nada.”

Apesar de faltar esse tal estudo sobre a qualidade do sono, Joaquim Moita revela que mais de metade dos portugueses sofrem de doenças do sono. “O síndrome de apneia obstrutiva do sono atinge 49% dos homens e 25% das mulheres. A segunda doença mais frequente é a insónia. A insónia crónica atinge 10% da população e existem ainda outras perturbações do sono, como o síndrome das pernas inquietas que atinge outros 10%.”

Uma noite mal dormida pode ter várias “consequências ao nível da memória, da concentração, do humor ou perturbações cognitivas ao nível da tomada de decisões, por exemplo. E quando a privação de sono se torna crónica podemos ter consequências ao nível metabólico. Noites mal dormidas são uma causa para o desenvolvimento, por exemplo, da diabetes.

Problemas que, em muitos casos, surgem associados a outras complicações e que, por isso, faz todo o sentido tratar, de preferência com medicamentos alternativos às benzodiazepinas ou com recurso à psicoterapia. A juntar a isto, convém manter hábitos higiénicos de sono, acrescenta o dirigente da APS.